Projeto criará computador semelhante ao cérebro humano

O cérebro humano é a mais complexa estrutura jamais criada. Com 100 bilhões de neurônios e 100 trilhões de sinapses realizadas a cada segundo, o cérebro permanece como uma das fronteiras finais da medicina. Uma imensidão de dúvidas e processos sobre o principal órgão do corpo humano permanecem sem resposta.

Mas isso está prestes a mudar.

Foi iniciado no dia 7 de outubro o Human Brain Project, uma pesquisa multinacional envolvendo mais de 135 empresas públicas e privadas, com o objetivo de entender o cérebro de uma forma nunca antes vista. Um projeto grandioso como esse necessita de uma solução igualmente complexa. A equipe do Human Brain Project irá criar um supercomputador que simulará o funcionamento do cérebro humano, com um poder de processamento 1.000 vezes superior aos computadores mais rápidos da atualidade.

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O HBP será dividido em algumas fases e possui uma estimativa de mais de 10 anos de pesquisa e desenvolvimento. Nas fases iniciais, os cientistas pretendem entender completamente as funções do cérebro. Nas seguintes, pretendem indentificar como nós pensamos, aprendemos, vemos e ouvimos.

Com um “cérebro artificial”, os cientistas conseguirão obter uma nova ferramenta para descobrir como nossas emoções e pensamentos são gerados. Também conseguirão entender como as doenças que afetam o funcionamento do órgão realmente ocorrem, criando novos tratamentos sem nem precisar conduzir testes com humanos ou animais.

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Contudo, além de produzir grandes avanços na Medicina, o Human Brain Project possui uma ambiciosa meta tecnológica, que levará ao desenvolvimento de novas tecnologias de processamento e armazenamento de dados. Os cientistas do projeto estimam que o HBP poderá, inclusive, uma nova linha de computadores chamados de “neuro morphic computers”, ou “computadores neuro mórfico”, que são capazes de simular as atividades cerebrais.

Computadores vs. cérebros

Há décadas os cientistas buscam criar computadores tão rápidos quanto o cérebro e, surpreendentemente, esse feito já foi alcançando há alguns anos. Hoje, o computador mais rápido do mundo (O K Computer, da Fujitsu) consegue processar 8.2 bilhões de megaflops. O cérebro, em contrapartida, fica em meros 2.2 bilhões. A diferença entre essas duas “máquinas” está na sua eficiência: enquanto o K Computer necessita de quase 10 milhões de watts para funcionar, o suficiente para energizar 10.000 residências, o cérebro consume apenas 20 watts, menos que uma lâmpada comum.

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Jeff Hawkins, fundador da Palm, por exemplo, argumenta que é errado comparar um cérebro a um computador no seu livro “On Intelligence”. Ele argumenta que o cérebro não “computa” problemas, ele apenas procura por padrões pré-estabelecidos na memória. Já o computador necessita passar por uma série de processos, instruções e cálculos. Então, mesmo que o transistor de um computador possua uma velocidade significativamente maior do que um neurônio, ele irá passar por bilhões de etapas antes de realizar uma tarefa, enquanto o cérebro utiliza apenas uma centena delas.

Contudo, a argumentação de Hawkins é feita com base em modelos de computadores atuais, que não pretendem reproduzir a lógica interna de um cérebro e apenas os soprepõem puramente por força bruta de processamento. O tipo de computação que o Human Brain Project pretende desenvolver, altera a própria organização de um computador, fazendo com que seus processos sejam mais parecidos com o cérebro, que continua sendo a máquina mais complexa e eficiente. Até o momento, pelo menos. Veja como o projeto será no vídeo abaixo: