Entenda como as impressoras 3D estão revolucionando a Medicina

Há certas descobertas científicas que abrem um novo leque de possibilidades, que vão muito além daquilo para o que foram pensadas inicialmente: a lâmpada elétrica, a internet, a comunicação sem fio, a insulina, os tipos sanguíneos, dentre outras. Um ótimo exemplo disso são as impressoras 3D. Comumente associadas à impressão de objetos domésticos e peças de equipamentos, elas estão tensionando as fronteiras das possibilidades na medicina. Da produção de ossos até órgãos do corpo humano, esses equipamentos estão estimulando pesquisadores e beneficiando pacientes no mundo todo.

Partes do coração e vasos sanguíneos

Pesquisadores da Universidade de Missouri, na Columbia, já conseguiram imprimir estruturas semelhantes aos vasos por onde nosso sangue passa, além de pequenas partes de um material muito parecido com tecido cardíaco. O estudo foi divulgado em uma publicação especializada de engenharia em 2008. Um grupo na German Fraunhofer Institute também já obteve resultados promissores na área.

Ossos

No caso de materiais ósseos, Kevin Shakesheff é um exemplo de estudioso para este tipo específico do uso de impressão 3D. Ele é da Universidade de Nottingham (Reino Unido) e criou uma bioimpressora que produz uma estrutura de termoplástico PLA com alginato gelatinoso. Esse material é revestido com células-tronco adultas. Em cerca de três meses, a estrutura termoplástica vai se dissolvendo e é gradativamente substituída por células ósseas. Ainda nesse campo, próteses impressas em 3D, como maxilares, já existem há alguns anos.

Cartilagem

Partes do nosso corpo como orelha, nariz e queixo apresentam cartilagem. Desenvolver próteses específicas para esses casos pode ser algo caro e doloroso – seja para o médico ou para a pessoa que precisa da prótese. Um designer industrial do Reino Unido, chamado Tom Fripp, passou os últimos anos colaborando com cientistas da Universidade de Sheffield para imprimir em 3D uma prótese facial mais barata e mais fácil de fazer. O processo é todo baseado em escaneamento 3D e dispensa o molde, que pode ser muito invasivo.

Órgãos

Com órgãos criados a partir da técnica de impressão 3D, potencialmente a necessidade do transplante poderia ser suprimida. Um dos cientistas mais inspirados por essa possibilidade é Anthony Atala, diretor do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine. A primeira experiência do cirurgião foi no desenvolvimento de uma nova bexiga a partir de células tronco de um paciente com falência neste órgão. Além disso, há experiências que têm buscado imprimir pele humana – uma possibilidade que ajudaria vítimas de queimaduras, por exemplo. O cientista James Yoo está trabalhando em uma máquina que pode imprimir pele diretamente nesse tipo de vítima, em um projeto financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA. E, em Liverpool, cientistas têm desenvolvido um scanner 3D calibrado para pegar amostrar da pele de alguém que precisa de um enxerto e produzir um material mais preciso.

Próteses de membros

Outro exemplo de possibilidade médica do uso de técnicas de impressão 3D são as próteses de braços e pernas. Essa possibilidade é o que permitiu a Paul McCarthy imprimir uma prótese da mão esquerda para seu filho, Leon, de 12 anos. As instruções e modelos foram disponibilizados online pelo inventor do dispositivo e Paul foi atrás de uma máquina que fosse capaz de imprimir aquele equipamento. Na escola de Leon havia uma impressora 3D e Paul gastou apenas entre 5 e 10 dólares para que o filho tivesse sua prótese. Veja o vídeo sobre o caso aqui. As técnicas variam de acordo com cada caso e a complexidade de alguns experimentos demandam ainda longos anos de pesquisa. A cada pergunta respondida, a comunidade científica se depara com várias outras sem resposta. Porém, a impressão 3D tem se tornado cada vez mais difundida e, gradualmente, programadores, pesquisadores e pacientes começam a vislumbrar suas possibilidades.