iPhones novos e o primeiro relógio inteligente da Apple

A Apple acabou de apresentar dois novos modelos de iPhone em um evento no Flint Center, em San Francisco. O local é recheado de histórias e foi escolhido por Steve Jobs para apresentar o Macintosh, em 1984, e o iMac em 1998. Mais do que apropriado para contar ao mundo o próximo capítulo na história da Apple. O Keynote começou em ritmo frenético, sem os habituais anúncios de vendas e performance da Apple em relação aos concorrentes. Em menos de 10 minutos, Tim Cook anunciou os dois novos modelos de smartphone: o iPhone 6, com um display de 4.7 polegadas e o iPhone 6 Plus, com polêmicos 5.5”. Confira as novidades técnicas dos novos modelos:

- Novo chip A8 com poder de processamento 25% maior e com gráficos 50% mais rápidos; - Modo paisagem para a tela home; - iPhone 6 com 6.9 mm e Plus com 7.1 mm contra 7.6mm do iPhone 5S. - iPhone 6 com resolução de 1334x750 pixels com resolução superior aos 720p do Retina Display; - o Plus inaugura a entrada da Apple nos modelos de smartphone com resolução Full HD 1080p, display já utilizado pela concorrência há tempos; - Novos sensores (barômetros e medidor de elevação) - Nova câmera iSight e com novo sensor capaz de melhor foco, captura de cor, etc;

Também foi anunciado um novo sistema de pagamento que pretende substituir de vez os cartões de plástico. Diversas iniciativas tentaram, sem sucesso, criar uma forma de pagamento que elimine senhas e cartões. A maioria utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication) para criar transações sem fio através de uma rede de ondas de rádio de curta distância. O Apple Pay, sistema proprietário da Apple, não difere nesse sentido, mas utiliza algumas features do iPhone que prometem tornar a experiência mais simples e descomplicada, tais como adicionar diferentes cartões pelo Passbook e autorizar pagamentos utilizando o Touch ID. Mas, na verdade, o sistema da Apple promete mais do que os demais porque a empresa de Cupertino trabalhou arduamente para criar acordos com as grandes operadoras de cartões de crédito, bancos e grandes redes de varejo (Mc Donald’s, por exemplo), viabilizando a estrutura necessária para que seu sistema floresça. Isso foi feito anteriormente com o lançamento do iPod e do iTunes, nos quais a Apple negociou exaustivamente com gravadoras para criar um novo modelo de distribuição de músicas digitais. Sem esse trabalho nos “bastidores”, o iPod dificilmente teria tido uma adoção tão instantânea.

A maioria das novidades apresentadas já havia sido antecipada por veículos do mundo todo. Contudo, diferentemente de outros eventos, a expectativa do Keynote não estava nos iPhones e sim na apresentação de um novo produto, o famoso “One More Thing” imortalizado por Steve Jobs ao mostrar ao mundo produtos nunca antes visto. E a Apple confirmou os rumores apresentando seu relógio inteligente: Apple Watch.

Confirmando a tendência dos wearable devices, a Apple mostrou ao mundo três edições de seu relógio. Uma simples, com case de metal brilhante. A edição Sport possui um envoltório de metal escovado. Já o Apple Watch Edition é feito de ouro 18 quilates. Todas as versões possuem pulseiras removíveis de diferentes materiais e cores, medidores de batimentos cardíacos e baterias carregáveis por indução eletromagnética, dispensando a entrada de cabos.

A integração com o mundo Fitness foi muito explicitada no Apple Watch, com apps desenvolvidos para aproveitar ao máximo os momentos de exercício, analisando-os em tempo real e fornecendo dados como calorias, distâncias e ritmo. Além disso, o device aprende com seus movimentos e sugere objetivos para cumprir, resultando em uma rotina mais movimentada e saudável, se seguidos à risca.

O Apple Watch possui um sistema operacional próprio e desenvolvido para funcionar nas telas de tamanho reduzido. Através de um botão giratório, os usuários têm acesso aos diferentes aplicativos e modos de visualização de aplicações. Também é possível interagir com outras pessoas usando o relógio mandando mensagens e avisos discretos, além de batimentos cardíacos e até mesmo desenhos.

A proposta do Apple Watch é boa ao repensar a forma com que as pessoas consumiriam conteúdo através de um relógio. Dada a tela reduzida e a proximidade com o celular, a Apple aposta em pequenos lembretes e updates e em uma interface simples e intuitiva. A empresa percebeu que os relógios inteligentes não substituiriam os smartphones e ao invés de criar um produto com funções redundantes, optou por um ecossistema que complemente o uso do iPhone (e vice-versa).

Contudo, ainda que o conceito seja bom, só a prática irá dizer se os consumidores estão preparados para um relógio inteligente e/ou se a Apple irá conseguir criar uma demanda forte o suficiente para quebrar o chasm, o abismo que separa um produto conceitual da adoção em massa, necessária para o sucesso e futuro do mesmo. Outras empresas, como a Samsung, correram para lançar seus smartwatches antes da Apple, mas a adoção foi baixa e deixou muitos usuários frustrados com erros conceituais e técnicos. Mas somente a criação de wearables já é um indicativo da associação cada vez mais profunda (e natural) dos seres humanos com a tecnologia. Resta saber se o Apple Watch possui uma proposta de valor sólida o suficiente para se fixar como o primeiro wearable de sucesso no mercado. Afinal, criar uma nova forma de utilizar um relógio, uma peça histórica carregada de significada, precisa levar em conta diversos fatores, tais como design, usabilidade e aplicação de um relógio inteligente no dia-a-dia.

Para mais novidades sobre o Smart Watches, o Apple Watch e wearable computing, não deixe de acompanhar os artigos periódicos da Onoffre sobre o tema.