Colaboração entre homens e robôs

O discurso é um clássico: humanos estão cada vez mais perdendo seus empregos para máquinas que realizam seus trabalhos dezenas de vezes mais rápido e com menos custos. Este é um processo que se estende desde a primeira Revolução Industrial, no mínimo. Talvez tenha sido a primeira vez na história que homens tiveram que competir com máquinas, gerando um medo que elas os substituíssem de vez, medo esse que ainda é ecoado hoje em dia sob a forma da Inteligência Artificial e a autossuficiência das máquinas. E ainda que esse processo tenha dizimado centenas de milhares de empregos, hoje, mais de cem anos depois, vemos uma nova forma de interação entre humanos e máquinas nas fábricas: a colaboração.

A fábrica da BMW em Spartanburg, Carolina do Sul, Estados Unidos, começou a testar a integração de um novo tipo de robô com seus funcionários. Mais inteligentes e controlados, esses novos robôs não precisam ficar isolados por terem movimentos tão surreais e energéticos que precisam manter a distância de humanos. Essa nova geração é capaz de andar pela fábrica e ficar lado a lado de um funcionário, entregando ferramentas, segurando objetos na linha de montagem. Uma das funções dessas máquinas no processo fabril, por exemplo, é segurar uma camada de proteção para os componentes eletrônicos de uma porta enquanto o funcionário avança com a montagem. Essa função costumava causar Lesões por Esforço Repetitivo, eliminadas com a ajuda dos robôs. Veja como funciona essa colaboração no vídeo abaixo:

Ao invés de substituírem humanos, as novas máquinas estão liberando profissionais para realizar tarefas que requerem mais complexidade intelectual e intuitividade ao invés de tarefas que necessitam de muita energia, precisão e repetição. Pode-se argumentar que isso é apenas uma forma de substituição disfarçada, mas o que se viu em menos de dois anos de testes na BMW foi uma redução de 85% no tempo ocioso dos funcionários. A colaboração entre humanos e máquinas, trocando tarefas e aprendendo mutuamente, resulta em produtos mais inovadores e novas técnicas, combinando a destreza robótica com a intuição criativa do homem.

A Onoffre acredita no conceito de “Online & Offline Revolution”, em que os mundos online e offline se misturam de forma indissociável. Um implante biônico em um humano é uma forma de demonstrar esse fenômeno na simbiose entre ser vivo e máquina. Mas o trabalho conjunto de um operário com um braço robótico ao seu lado, ajudando-o a realizar tarefas mais rapidamente e com mais segurança também é mais um exemplo de como a sociedade está chegando em um grau de sofisticação tão avançado que a separação entre o digital e o “real" não é apenas difícil, mas também infrutífera.

Um robô capaz de tomar pequenas decisões, trabalhando mais flexivelmente com um humano deixa de se tornar um rival para virar um companheiro de trabalho, abrindo novas e interessantes possibilidades nos processos de fabricação atuais. E com computadores começando a pensar como o cérebro humano, essa ligação se tornará cada vez mais natural e comum.