A adoção da Customização em Massa

A customização em massa pode ser definida como uma estratégia de negócios relativamente recente, que está sendo utilizada por muitas empresas devido ao diferencial competitivo que proporciona. Seu objetivo é atender, em grande escala, às necessidades e aos desejos particulares de clientes cada vez mais propensos à aquisição de produtos e serviços customizados. Cada vez mais empresas estão começando a oferecer para seus clientes a possibilidade de criar produtos únicos. 

É uma mudança que pode se tornar histórica para o mercado já que durante cerca de um século, a produção em massa foi o modelo de negócio dominante. Desde quando a Ford lançou seu primeiro automóvel, no início do século 20, quanto maior era a escala e menor a variedade, melhor. A lógica de produção continuava a mesma até então: era a fábrica que definia o que as pessoas iriam comprar. 

Contudo, com o avanço da tecnologia a fabricação de produtos exclusivos a custos compreensíveis em diversos mercados parece finalmente ter se tornado algo viável. Com equipamentos inteligentes e sistemas de produção digitais uma mesma fábrica consegue produzir muitos itens diferentes. Além disso, a mudança cultural também contribui para a customização. Os jovens de hoje cresceram acostumados a poder fazer escolhas. E os smartphones são o maior exemplo: além dos aparelhos em módulos, que estão próximos de sua chegada (leia no nosso artigo), os aplicativos permitem que cada pessoa "crie" o próprio celular.

Esse tipo de customização pode ser aplicada em diferentes formatos para vários segmentos de mercado. A Coca-Cola por exemplo, instalou 1.700 máquinas de refrigerante em cinemas e restaurantes dos EUA que ofereciam cerca de 100 combinações de sabores. Já a Nike, criou o NIKEiD, uma plataforma virtual que permite ao cliente selecionar desde as cores de cada parte do tênis até as medidas ideais para o seu pé. Outro exemplo dessa mudança de paradigma é a startup de móveis Tylko, cuja proposta é colocar clientes em contato direto com designers para customizar móveis e molda-los para gostos específicos e necessidades sob medida. Este processo é acessível e realizado de forma intuitiva através de uma ferramenta multi-plataforma de aplicativos.

A próxima fase da customização será o uso das impressoras 3D. Essas máquinas que podem fabricar qualquer coisa depositando finas camadas de matéria-prima fazem cada vez mais sucesso e vêm provando do que são capazes. Com elas é possível criar desde objetos mais complexos até os mais simples, de maneira eficiente e, muitas vezes, mais barata. Além disso, como fazem um item de cada vez, elas acabam com a necessidade de escala. Uma tecnologia que ainda é embrionária, mas que no futuro, pode permitir a cada pessoa ter a sua própria impressora 3D e talvez, imprimir seus próprios produtos.

Abandonar a produção em série é um desafio e tanto. Principalmente porque os locais de fabricação precisam estar perto dos consumidores, um movimento que já está acontecendo. Nesse caso, é preciso tomar cuidado para não virar a chave de uma só vez e se adaptar para não falhar na hora de oferecer coisas simples que os clientes também queriam, já que ainda existem muitos consumidores que não têm tempo e nem interesse para escolher entre tantas opções.