Tecnologias que barram tecnologias

Estamos vivendo uma época em que tudo pode ser “smart”: basta adicionar uma conexão wi-fi ou bluetooth para ativar uma transferência de dados e fazer com que diferentes objetos conversem entre si. Esse fenômeno é chamado de “Internet of Things” e promete revolucionar a forma com que interagimos com objetos ao nosso redor, criando uma rede de bilhões de gadgets que reagem a estímulos e tornam a vida de todo mundo muito mais fácil e prática. Pelo menos essa é a promessa.

 

Mas para cada inovação tecnológica, há uma contrapartida que visa, no mínimo, uma desaceleração no ritmo com que novas coisas são criadas. E com a Internet das Coisas não é diferente. Nos últimos meses, temos visto uma profusão de iniciativas que pretendem bloquear a tecnologia de nossas vidas. O curioso é que essas iniciativas são justamente tecnologias para bloquear tecnologias.

Alguns exemplos:

Cadeira Offline


O projeto da polonesa Agata Nowak oferece um bolso que bloqueia os sinais que seu celular recebe e emite, tornando-o inútil durante todo o tempo em que está na cadeira. A Ikea também já está investindo no mesmo conceito em jogos americanos com compartimentos específicos para deixar smartphones durante a refeição.

 

Tinta que bloqueia sinais


Uma derivação de materiais usados em alguns presídios e penitenciárias, a tinta-escudo bloqueia qualquer campo eletromagnético, fazendo com que computadores e celulares percam sua utilidade se usados dentre das premissas.

Mochilas offline


Seguem o mesmo conceito das cadeiras, com bolsos especiais que bloqueiam quaisquer sinais, tanto de saída quanto de entrada.

Pimenteiro Offline


Sim, até mesmo um pimenteiro está sendo usado como receptor de um sistema que bloqueia sinais. O apelo é para refeições livres do constante barulho de notificações das pessoas à mesa.

A medida em que a tecnologia avança, é natural termos sua presença aumentada em nossos cotidianos, mas a proliferação dos devices para bloqueá-la levanta a discussão: estamos tão dependentes e ela se tornou tão ubíqua que não conseguimos mais nos controlar? E ainda: precisamos mesmo de autocontrole quando o assunto é Internet das Coisas, um movimento que, a princípio, torna nossas vidas melhores sem precisarmos agirmos ativamente?

Para que uma tecnologia avance, é preciso que sua utilidade seja validada e adotada por um número crítico de pessoas. Quando essa marca é ultrapassada, a adoção da tecnologia avança sem grandes obstáculos e se torna cada vez mais normal. Com a Internet das Coisas, essa barreira de adoção será aplicada em uma infinidade de produtos e marcas e ocorrerá uma seleção “natural" do que é necessário ou não. Por exemplo: monitores de glicose integrados em pulseiras inteligentes podem ser muito úteis. Mas será que precisamos realmente de cafeteiras ligadas à internet para que ela comece a funcionar 10 minutos antes de chegarmos em casa?


Essas são questões que serão respondidas a medida em que a Internet das Coisas começar a se desenvolver. Mas uma coisa é certa: será um movimento sem volta, que terá adeptos ou não. Resta saber se precisaremos desenvolver tecnologias contra tecnologias. O que você acha? comente abaixo!